TRATAMENTO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS EM LUANDA
- Pascoalina Sïtä
- 27 de jun. de 2025
- 4 min de leitura
Resíduos Sólidos em excesso na Cidade de Luanda
“A questão de resíduos é um efeito de vários factores, um deles é o êxodo rural”
José Mateus Manuel Professor universitário do Instituto Superior Politécnico Metropolitano de Angola e Ambientalista, numa entrevista ao site Ar puro falou do excesso de lixo nas ruas da cidade Capital.
Diante dos excessos de resíduos sólidos que se encontram espalhados em diferentes pontos da cidade de Luanda, José Manuel começou por explicar que resíduos sólidos são substâncias que dependendo do tipo podem ser recicláveis ou não. 926294960
Para erradicação do excesso de produção de resíduos sólidos, José Manuel disse não existir um único ponto que seria mais destacados, trata-se de um conjunto de condições e contextos que fazem com que tenhamos um excesso de resíduos sólidos na capital. Falou ainda que o factor principal da produção excessiva de resíduos um deles é o ordenamento do território e o êxodo rural. A densidade populacional em Luanda é alta, é preciso desincentivar também a produção de materias plásticos, existem países no mundo que não utilizam plástico é necessário que se crie políticas ou alternativas que venham a substituir o plástico.
O que venha a ser Ordenamento do território? “Muito antes de um bairro ser considerado como um bairro é necessário que se coloque condições mínimas de ser conhecida como bairro ou seja a forma como as ruas serão delineadas, tem de ser pensado vários elementos como por exemplo as instalações elétricas. José Mateus acrescentou que “ a questão de resíduos sólidos não deve ser paliativa, tem de ser bem estruturado para que se note a sua redução. E é necessário que se crie politicas que incentivam a própria valorização para que não pare em lugares impróprios, criar politicas de reciclagem que incentivam o cidadão a reciclar porque tem algum benefício, criar infraestruturas que absorvem este material e condições políticas para que surgem empresas que apostam na área do sector de reciclagem, e deste modo servir como renda extra dos indivíduos.
De acordo a classificação dos resíduos sólidos José Mateus falou “do decreto 190\ 12 de 24 de Agosto presidencial, os resíduos sólidos são classificados em perigosos e não perigosos. Os perigosos são aqueles que têm características de corrosivos, que são inflamáveis por exemplo os combustíveis ou algum outro material que seja inflamável que tem um efeito d que pode causar alguma lesão para quem estiver a manusear, por exemplo os resíduos hospitalares que são na sua maioria cortantes ou químicos, portanto esses o decreto estabelece como resíduos sólidos perigosos. Além desses temos os resíduos sólidos não perigosos, que são os comuns, os resíduos sólidos domésticos, alguns metais, mas a maior parte orgânicos, e por último temos os resíduos sólidos sectoriais, que são frutos de actividades agrícolas, industriais e comerciais.
Concernente a possibilidade de existir mecanismos para minimizar o excesso de resíduos sólidos? O professor começou por responder que hoje em dia fala-se muito sobre a reciclagem, que é uma das alternativas que podem ser utilizadas para minimizar o excesso de resíduos em Luanda. “Hoje os resíduos são mais valorizados, nota-se algumas actividades de pessoas que são identificados como catadores, utilizam resíduos para fins comerciais.
“Hoje em dia os resíduos sólidos quando separados na fonte, e não contaminados com outros resíduos podem ser valorizados, e sendo eles valorizados, podem não estar em locais inapropriados”.
Ambientalista José Manuel diz ainda que, os resíduos já não podem ser levadas para o aterro sanitário, e há necessidade de criar centros de valorização, que são locais onde são levados os resíduos de todos os municípios de Luanda e se faz uma triagem, mas existem empresas que não são centros de valorização, mas são empresas que compram estes resíduos para produzir novos produtos.
José Manuel afirmou ainda, que o Estado tem o conhecimento de empresas que trabalham como centros de valorização, existem leis que regulam a actuação ou operacionalização de uma empresa dentro do território nacional. A agência nacional de resíduos pertencente ao ministério do ambiente é que regula a legalização destas empresas antes de começarem a sua actividade. Os catadores legalmente chamados de cooperativas, são os mesmos que fazem chegar estes resíduos a estas empresas.
Professor José Manuel, respondeu sobre a temática em torno de resíduos recicláveis, e até que ponto estes resíduos recicláveis contribui para o bem estar económico e social da população? “É necessário que as pessoas tenham a educação ambiental. Será que há condições para reciclar? e voltar a produzir bens utilizando material reciclável? Temos mais inclinação em comprar produtos confecionados em matéria prima, em relação aos produtos confecionados em material reciclável, e muita das vezes o que está na base é o especto do material reciclável que não tem o especto comercial bom, em relação aquele material produzido com matéria prima. Ai vão entrar as questões políticas, toda empresa que produz algum produto fruto do material reciclável não tem como competir com empresas que produzem produtos com matéria prima, ai surge a necessidade de se criar políticas para reduzir o peso fiscal para essas empresas, a fim de conseguirem manter-se no mercado.
Em relação a criação destas mesmas Políticas, José Manuel disse “ que é necessário parar de criar políticas paliativas, ou seja políticas que funcionam num dado período e depois já não funcionam. É necessário criar políticas que visam num horizonte temporal resolver por definitivo a questão de resíduos sólidos na cidade de Luanda, até porque é um direito do cidadão viver num ambiente sadio e ela tem de ser efectivada.

Texto: Pascoalina Sita

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